terça-feira, 29 de setembro de 2009

O campo de concentração de Honduras


Numa entrevista à jornalista Lúcia Rodrigues, da revista Caros Amigos, Ramon Navarro, ativista da Via Campesina em Honduras, denuncia que seu país se transformou num autêntico campo de concentração. Seu depoimento é chocante e mostra a urgência da solidariedade internacionalista. O clima de repressão, imperante desde o golpe de junho, ficou ainda mais tenso após o retorno ao país do presidente Manuel Zelaya, que se refugiou na embaixada brasileira em Tegucigalpa. O governo golpista está acuado, interna e externamente, mas não dá sinais de recuo.

“Há uma grande tensão. Reprimem as passeatas contra o golpe de Estado. O Exército e a polícia estão matando nossos companheiros. A polícia reprime, inclusive, nos bairros. Buscam pessoas que estão reunidas. Estamos debaixo de um estado de sítio. As pessoas são levadas para campos de concentração... Em Tegucigalpa há três campos de concentração, além de centros de repressão oficial”. Navarro garante que as pessoas são torturadas, “psicológica e fisicamente... Apagam cigarros no corpo das pessoas, golpeiam com garrotes. Há muitas pessoas com ossos fraturados”.

texto completo no blog do Miro

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Zelaya denuncia plano de assassinato


De: CubaDebate


El presidente de Honduras, Manuel Zelaya, denunció este martes un plan del gobierno de facto para allanar esta misma noche la embajada de Brasil, donde se encuentra alojado desde el lunes, capturarlo y asesinarlo, y detalló que incluso ya cuentan con los médicos forenses que declararán que el mandatario se suicidó.

“Estamos siendo amenazados que hoy en la noche (martes) se van a tomar la embajada de Brasil (…) Supuestamente hay un plan sea de captura y asesinato, tienen los forenses para declarar que es un suicidio”, aseguró en dignatario en entrevista exclusiva con teleSUR desde Tegucigalpa.

“Lo advierto a la comunidad internacional, yo Manuel Zelaya Rosales, hijo de Hortencia y José Manuel, no se suicida, está vivo, luchando por sus principios con firmeza y prefiero morir firme, que arrodillado ante esta dictadura y eso que quede muy claro ante estos tiranos que están queriendo gobernar al país con la fuerza de las armas”, agregó.

Expresó que desea que los anuncios hechos por Brasil y Estados Unidos (EE.UU.) de convocar para el próximo jueves al Consejo de Seguridad de la Organización de Naciones Unidas (ONU) a fin de tratar el tema de Honduras, así como la presión que está ejerciendo la comunidad internacional, se traduzcan en hechos concretos para apoyar al pueblo hondureño que está sufriendo.

“Quisiera que la presión que está ejerciendo la comunidad internacional, lo que anuncó Estados Unidos y Brasil, o Brasil y Estados Unidos de que se va a convocar el jueves al Consejo de Seguridad de Naciones Unidas, que se concretara en hechos concretos para apoyar a este pueblo que está sufriendo, que no merece este destino después de tanto sacrificio, de tanta explotación de décadas y décadas y es necesario que el pueblo hondureño tenga alguna compensación”, insistió.

Agradeció la solidaridad de los mandatarios y gobiernos del mundo que han rechazado el golpe de Estado y dijo que este sentimiento se multiplicará cuando al fin se restituya el orden constitucional en el país centroamericano.

“Le agradecemos sinceramente a la comunidad internacional a todos los presidentes, de todos los gobiernos que nos han apoyado tan sinceramente y más les vamos a agradecer cuando se restituya la democracia en el país y cuando vuelva la paz”, agregó.

El presidente Zelaya lamentó que su intención de diálogo haya sido recibida en Honduras con una actitud agresiva por parte del gobierno de facto, pues su objetivo es lograr una concertación que lleve a la recuperación del hilo constitucional.

“Lamento profundamente que desde el 28 (de junio) en que se dio el golpe de Estado hasta la fecha ha habido una represión continua en el país. La Comisión Interamericana de Derechos Humanos (CIDH) denunció lo que estaba pasando en Honduras. Mi presencia aquí es simplemente un llamado al diálogo, un llamado a la concertación, un llamado a un acuerdo, pero esto ha sido interpretado con balas, con bombas, con represión, con un estado de sitio, con levantar los vuelos en todos los aeropuertos y lamento profundamente que una intención de diálogo se conteste en una forma tan agresiva”, declaró.

Confirmó que la sede diplomática suramericana está totalmente cercada por militares que han bloqueado todas las entradas y las salidas.

Advirtió que tras la represión y desalojo violento de unas 20 mil personas que se encontraban cerca de la embajada de Brasil, a las cuatro de la madrugadas aproximadamente, se arrestó a entre 300 y 400 personas, que han sido llevadas a un estadio de béisbol.

“Estamos rodeados. En esta sede diplomática hay fuerzas de la seguridad del Estado bloqueando todas las entradas y todas las salidas, son varias cuadras. Desalojaron violentamente hoy, a las 4 de mañana, a más de 20 mil personas que estaban cercanas a estos lugares, que estaban en fiestas, pernoctando aquí, pero con jóvenes que estaban bailando aquí, pernoctando por el pronto retorno del sistema democrático (…) Hay gente herida, hay más de 300, 400 presos. Sólo en Tegucigalpa han tenido que habilitar un estadio para colocarlos ahí , igual que hay muchos detenidos a nivel nacional, decenas de heridos en los hospitales a nivel nacional”, destacó.

Al ser cuestionado sobre el ofrecimiento de algunos candidatos presidenciales de fungir como mediadores entre su persona y el presidente de facto, Roberto Micheletti, Zelaya dijo que aprobaba esta iniciativa siempre y cuando sea seria, pues Honduras debe recobrar la paz. “El peor método para resolver un problema político - social es un golpe de Estado y un Estado represivo como el que hoy tiene nuestro país. Como presidente legítmo estoy tratando de que vuelva la armonía y la paz que hemos mantenido por más de tres décadas”.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Onde está Belchior?



















do Blog do Rovai

O programa dominical da Rede Globo bem que poderia reeditar a campanha “onde está o Belchior?”. Mas dessa vez poderia pedir a população de São Paulo para tentar localizar o prefeito e o governador do Estado. Onde estão Kassab e Serra?
Aproveitando a ocasião, o programa dominical da Rede Globo poderia também lançar a campanha: “Onde está o jornalismo paulista? Em que mundo ele se esconde?” Alguma dica?

sábado, 5 de setembro de 2009

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Quer ser meu amigo?

Muy amigo

governo "amigo"

Do festival de besteiras a que somos submetidos diariamente, o que mais revoltou o vendedor ultimamente, foi a declaração do candidato a candidato José Erra de que é "amigo dos pobres".
Ora, amigo pobre é o sonho de consumo de todo rico, para "pagar" de bonzinho, de consciente.
Governador, tenha um pouco de amor próprio; poupe-se desse papel patético e poupe-nos da "vergonha alheia".
Eu que gosto de vender minhas bananas ao som de Bezerra e Racionais, vou 'colar' duas estrófes, onde cada qual no seu estilo, já desnudaram esse tipo de escroque:

"Ele subiu o morro sem gravata
Dizendo que gostava da raça
Foi lá na tendinha
Bebeu cachaça
E até bagulho fumou
Foi no meu barracão
E lá usou
Lata de goiabada como prato
Eu logo percebi
É mais um candidato
Às próximas eleições"
Canditato Câo Câo - Bezerra da Silva


"Não adianta querer ser
tem que ser
tem que tá
o mundo é diferente
da ponte pra cá"

Da ponte pra cá - Racionais Mc's

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Nota pública do MST

NOTA PÚBLICA SOBRE O

ASSASSINATO DE ELTON BRUM PELA BRIGADA MILITAR

DO RIO GRANDE DO SUL

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra vem a público, manifestar novamente seu pesar pela perda do companheiro Elton Brum, manifestar sua solidariedade à família e para:

  1. Denunciar mais uma ação truculenta e violenta da Brigada Militar do Rio Grande do Sul que resultou no assassinato do agricultor Elton Brum, 44 anos, pai de dois filhos, natural de Canguçu, durante o despejo da ocupação da Fazenda Southall em São Gabriel. As informações sobre o despejo apontam que Brum foi assassinado quando a situação já encontrava-se controlada e sem resistência. Há indícios de que tenha sido assassinado pelas costas.

  1. Denunciar que além da morte do trabalhador sem terra, a ação resultou ainda em dezenas de feridos, incluindo mulheres e crianças, com ferimentos de estilhaços, espadas e mordidas de cães.

  1. Denunciamos a Governadora Yeda Crusius, hierarquicamente comandante da Brigada Militar, responsável por uma política de criminalização dos movimentos sociais e de violência contra os trabalhadores urbanos e rurais. O uso de armas de fogo no tratamento dos movimentos sociais revela que a violência é parte da política deste Estado. A criminalização não é uma exceção, mas regra e necessidade de um governo, impopular e a serviço de interesses obscuros, para manter-se no poder pela força.

  1. Denunciamos o Coronel Lauro Binsfield, Comandante da Brigada Militar, cujo histórico inclui outras ações de descontrole, truculência e violência contra os trabalhadores, como no 8 de março de 2008, quando repetiu os mesmos métodos contra as mulheres da Via Campesina.

  1. Denunciamos o Poder Judiciário que impediu a desapropriação e a emissão de posse da Fazenda Antoniasi, onde Elton Brum seria assentado. Sua vida teria sido poupada se o Poder Judiciário estivesse a serviço da Constituição Federal e não de interesses oligárquicos locais.

  1. Denunciamos o Ministério Público Estadual de São Gabriel que se omitiu quando as famílias assentadas exigiam a liberação de recursos já disponíveis para a construção da escola de 350 famílias, que agora perderão o ano letivo, e para a saúde, que já custou a vida de três crianças. O mesmo MPE se omitiu no momento da ação, diante da violência a qual foi testemunha no local. E agora vem público elogiar ação da Brigada Militar como profissional.

  1. Relembrar à sociedade brasileira que os movimentos sociais do campo tem denunciado há mais de um ano a política de criminalização do Governo Yeda Crusius à Comissão de Direitos Humanos do Senado, à Secretaria Especial de Direitos Humanos, à Ouvidoria Agrária e à Organização dos Estados Americanos. A omissão das autoridades e o desrespeito da Governadora à qualquer instituição e a democracia resultaram hoje em uma vítima fatal.

  1. Reafirmar que seguiremos exigindo o assentamento de todas as famílias acampadas no Rio Grande do Sul e as condições de infra-estrutura para a implantação dos assentamentos de São Gabriel.

Exigimos Justiça e Punição aos Culpados!

Por nossos mortos, nem um minuto de silêncio. Toda uma vida de luta!

Reforma Agrária, por justiça social e soberania popular!

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

sábado, 22 de agosto de 2009

Covardia...

do blog Correando


As fotos são do corpo do trabalhador sem-terra Elton Brum da Silva, morto na manhã desta sexta-feira durante despejo da Brigada Militar na Fazenda Southall, em São Gabriel (RS). As imagens mostram nitidamente que o agricultor foi alvejado pelas costas. Não é preciso dizer mais nada...E protestar!


Se foi mesmo um "confronto" ou "conflito", como a grande imprensa está chamando, porque os brigadianosna a cavalo estão, na foto abaixo, com a proteção do capacete levantada?


Reparem nesta foto o brigadiano com uma espingarda calibre 12. Isso é confronto ou luta onde um lado só tinha as armas?

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

FHC and the CIA


FHC, FUNDAÇÃO FORD E OS DÓLARES DA CIA

por ALTAMIRO BORGES


O controvertido jornalista Sebastião Nery, em recente artigo no jornal Tribuna da Imprensa, faz uma grave denúncia. Com base em dois livros – um mais antigo, “Fernando Henrique Cardoso, o Brasil do possível”, da jornalista francesa Brigitte Leoni (Editora Nova Fronteira, 1997), e outro mais recente, “Quem pagou a conta? A CIA na guerra fria da cultura”, da autora inglesa Frances Saunders (Editora Record, 2008) –, ele insinua que o ex-presidente FHC, atualmente um dos mentores da oposição de direita ao governo Lula, foi financiado pela temida CIA, o serviço de espionagem dos EUA, que ajudou a desestabilizar vários governos progressistas no mundo todo.



A primeira obra registra, na página 154, um episódio aparentemente inocente. “Numa noite de inverno do ano de 1969, nos escritórios da Fundação Ford, no Rio, Fernando Henrique teve uma conversa com Peter Bell, o representante da fundação no Brasil. Peter Bell se entusiasma e lhe oferece uma ajuda financeira de 145 mil dólares. Nasce o Cebrap [Centro Brasileiro de Análise e Desenvolvimento]”. Como registra Nery, o fato ocorreu dois meses após a ditadura, “financiada, comandada e sustentada pelos EUA”, baixar o AI-5. “Centenas de novas cassações e suspensões de direitos políticos estavam sendo assinadas. As prisões, lotadas... E Fernando Henrique recebia da poderosa Fundação Ford uma primeira parcela de 145 mil dólares para fundar o Cebrap”.



Os EUA e a conquista da intelectualidade



“O total do financiamento nunca foi revelado. Na Universidade de São Paulo, sabia-se e se dizia que o compromisso final dos americanos era de 800 mil a um milhão de dólares”, garante Nery. “Montado no dinheiro dos gringos, Fernando Henrique se tornou ‘personalidade internacional’e passou a dar ‘aulas’ e fazer ‘conferências’ em universidades norte-americanas e européias. Era ‘um homem da Fundação Ford’. E o que era a Fundação Ford? Um dos braços da CIA, o serviço secreto dos EUA”. Prova disto, afirma Nery, surge agora com o livro de Saunders. “Quem pagou os US$ 145 mil (e os outros) entregues pela Fundação Ford a Fernando Henrique foi a CIA”. Para reforçar a sua teoria conspirativa, Nery cita várias passagens do livro:



- “Fundações autênticas, como a Ford, a Rockfeller, a Carnegie, eram consideradas o tipo melhor e mais plausível de disfarce para os financiamentos... Permitiam que a CIA financiasse um leque aparentemente ilimitado de programas secretos de ação que afetavam grupos de jovens, sindicatos de trabalhadores, universidades, editoras e outras instituições privadas” (página 153).



- “O uso de fundações filantrópicas era a maneira mais convincente de transferir grandes somas para projetos da CIA, sem alertar para a sua origem” (152).



- “A CIA e a Fundação Ford, entre outras agências, haviam montado e financiado um aparelho de intelectuais escolhidos por sua postura correta na guerra fria” (443).



- “A liberdade cultural não foi barata. A CIA bombeou dezenas de milhões de dólares.” (147).



- “Surgiu uma profusão de sucursais, não apenas na Europa, mas também noutras regiões: Japão, Índia, Chile, Argentina... e Brasil” (119).



- “A ajuda financeira devia ser complementada por um programa concentrado de guerra cultural, numa das mais ambiciosas operações secretas da guerra fria: conquistar a intelectualidade ocidental para a proposta norte-americana” (45).



Agente da CIA ou mero entreguista?



A acusação de Sebastião Nery, que nunca escondeu seu rancor diante da “traição” de FHC – que na última hora rejeitou virar ministro do seu aliado Collor de Mello –, é fundamentada. Os livros registram fatos e confirmam antigas suspeitas sobre os vínculos da Fundação Ford com o serviço de espionagem dos EUA. Mesmo assim, é difícil acreditar que FHC, que teve importante papel na luta pela redemocratização do país, tenha agido conscientemente a serviço da CIA. Até hoje, inclusive, a mesma Fundação Ford financia algumas entidades de marca progressista, que agora deverão ficar mais vigilantes diante de qualquer “intromissão” desta instituição de triste história.



Apesar de descartar a tese conspirativa, não custa registrar que hoje FHC é um entusiasta da ação imperialista dos EUA na América Latina. Nos seus oito anos de reinado, a política externa nativa regrediu para a vexatória posição do “alinhamento automático”. Com sua ação servil, avançaram as negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), o projeto dos EUA de anexação colonial do região, e o Mercosul foi congelado. Ele também ratificou o acordo para implantação da base militar ianque em Alcântara (MA) e ressuscitou um tratado do período da “guerra fria”, o draconiano TIAR, que poderia levar o Brasil a participar da invasão imperialista do Iraque. Após os atentados de 11 de setembro, FHC autorizou a instalação de um escritório da CIA no Brasil.



Após ser desalojado do poder, o ex-presidente passou a prestar consultoria aos governos ianques. Junto com Carla Hill, ex-representante comercial dos EUA, ele coordenou um grupo sediado em Washington que alertou o presidente-terrorista George Bush para “os riscos da esquerdização da América Latina”, segundo artigo do Financial Times de fevereiro de 2005. Agente da CIA, como acusa Nery, FHC parece não ser. Mas que presta hoje muitos serviços aos EUA, não há dúvidas. Mesmo suas ações conspirativas e golpistas contra o governo Lula lembram as velhas práticas do “serviço de inteligência” do imperialismo estadunidense.


Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB e autor do livro “As encruzilhadas do sindicalismo” (Editora Anita Garibaldi, 2ª edição).